vários tipos de pão no pãomania

PÃOMANIA

PARA TODOS QUE
ADORAM PÃO

Este é o nosso cantinho dedicado ao pão,
onde queremos levá-lo numa viagem que vai
muito além das receitas.

Pão ázimo ou matzah

Pão Ázimo – Matzah

O pão ázimo (ou Matzah) é a forma mais antiga e simples de pão. Como não leva fermento, o segredo está na rapidez e na temperatura do forno. É crocante, leve e perfeito para acompanhar húmus, queijos ou apenas um fio de azeite.

O matzah, conhecido por judeus de todo o mundo como “o pão da aflição”, é um alimento semelhante a uma bolacha de água e sal, feito de farinha e água, que se come para comemorar o êxodo dos escravos hebraicos do Egipto. A bolacha estaladiça e insípida substitui o pão durante os oito dias do Pesach, ou seja, a Páscoa judaica.

Vê a receita clássica e infalível:

Receita de Pão Ázimo – Matzah

Preparação: 15 Min
Cozedura: 10-15 Min

137 Kcal/ por pão (c/azeite)
107 Kcal/ por pão

6 a 8 pães médios

Ingredientes

  • 2 chávenas de farinha de trigo (pode ser integral ou branca)
  • 1/2 chávena de água (aproximadamente, vá adicionando aos poucos)
  • 1 colher de chá de sal
  • 2 colheres de sopa de azeite (opcional, para uma textura menos rígida)

Preparação

1. Pré-aquecimento

  • Liga o forno no máximo (cerca de 230°C a 250°C). Se tiveres uma pedra de pizza, usa-a; se não, coloca um tabuleiro comum a aquecer lá dentro.

2. Mistura

  • Numa taça, mistura a farinha e o sal. Faz um buraco no centro e deita o azeite e a água.

3. Amassar

  • Mistura com as mãos até formar uma bola. Passa para uma superfície enfarinhada e amassa por cerca de 2 a 3 minutos. A massa deve ficar elástica e não deve colar aos dedos.

4. Dividir

  • Divide a massa em pequenas bolas (do tamanho de uma noz grande ou um ovo pequeno).

5. Esticar (O segredo!)

  • Com um rolo da massa, estica cada bola até ficar muito fina, quase transparente. Quanto mais fina, mais crocante será o pão.

6. Furar

  • Usa um garfo para furar toda a superfície da massa. Isto evita que o pão suba e forme grandes bolhas de ar.

7. Cozedura rápida

  • Coloca as massas no tabuleiro quente. Coze por 2 a 3 minutos de cada lado. Fica atento: mal comecem a aparecer manchas castanhas e a massa fique rígida, está pronto.

Dicas para um Pão Ázimo – Matzah ainda melhor:

  • Rapidez: Na tradição judaica, o pão ázimo deve ser feito em menos de 18 minutos (do momento em que a água toca na farinha até entrar no forno) para garantir que nenhuma fermentação natural ocorra.
  • Sabor: Podes polvilhar ervas secas (alecrim, orégãos) ou flor de sal por cima antes de levar ao forno.
  • Conservação: Depois de frio, guarda num recipiente hermético ou saco fechado. Como este pão não tem conservantes nem fermento, ele sacia bastante mas convém ser comido no dia ou guardado muito bem fechado, senão vira uma “pedra” ou amolece com a humidade!

Breve história do Pão Ázimo – Matzah

A história do Matzah (ou Matzá) é uma das narrativas culinárias mais antigas e carregadas de simbolismo do mundo. Ela não é apenas sobre comida; é sobre pressa, liberdade e humildade.

Conhece a jornada deste “pão da aflição” através dos tempos:

Origem: a Fuga do Egito

Segundo a Tanaque (a bíblia hebraica), após uma longa batalha na qual Deus enviou rãs, pústulas, gafanhotos e matou os filhos primogénitos do Faraó, os egípcios libertaram os escravos hebreus. Estes partiram rapidamente, sem terem tempo para que o seu pão levedasse. De acordo com o livro sagrado dos judeus, Deus disse-lhes que pegassem na massa e partissem. E também seriam afastados dele (Deus) se comessem alguma coisa levedada durante sete dias.

Deste modo, os hebreus cozeram a massa plana sobre as rochas quentes do deserto, resultando num pão seco e sem fermento. Esta é a origem do primeiro Matzah.

Os dois Significados Simbólicos

O Matzah é conhecido por dois nomes que parecem contraditórios, mas que definem a sua história:

  • O Pão da Aflição (Lachma Anya): Representa o período de escravidão no Egito.
  • O Pão da Liberdade: Representa o momento exato da libertação. É o símbolo de que a redenção pode acontecer num piscar de olhos, tão rápido que nem o pão tem tempo de crescer.

A regra dos 18 Minutos

Na primeira noite da Páscoa judaica, o “Matzah” ganha destaque num jantar cerimonial chamado Seder de Pessach. Ao longo dos séculos, a preparação do Matzah tornou-se altamente ritualizada. Para ser considerado Kosher para a Páscoa Judaica (Pêssach), existe uma regra matemática:

Do momento em que a água toca a farinha até o pão sair do forno, não podem passar mais de 18 minutos.

Acredita-se que, após esse tempo, o processo de fermentação natural começa a ocorrer, e o pão deixa de ser ázimo para se tornar Chametz (levedado), o que é proibido durante a festividade. 

Da produção Artesanal à Industrial

Os primeiros matzoh seriam, provavelmente, redondos.

Matzah Shmurah: Significa “Matzah guardado”. É feito à mão com trigo que foi vigiado desde a colheita para garantir que nunca entrou em contacto com humidade. Tem um formato redondo e rústico.

O advento dos matzoh industriais surgiu em 1888, quando um imigrante lituano nos EUA chamado Dov Behr (fundador da marca Manischewitz) inventou a primeira máquina de fazer Matzah. Isto deu origem ao formato quadrado e uniforme, muito mais fácil de embalar e empilhar. São estas maravilhas quadradas que muitos de nós conhecem atualmente dos supermercados.

pão ázimo - matzah quadrado
Pão ázimo – Matzah quadrado. ©Wikipedia

Curiosidade: o Afikoman

No jantar de Páscoa (Seder), uma das três peças de Matzah é partida ao meio. A maior parte (o Afikoman) é escondida para que as crianças a encontrem. Isto serve para manter os miúdos acordados e interessados na história da sua linhagem.

O Matzah é um lembrete constante de que, às vezes, o “menos é mais” e que a simplicidade é o caminho para a liberdade.

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